O case da Nokia: um notório exemplo de atuação da concorrência e do livre mercado

Hoje resolvi trazer ao blog um case de negócio que não é da área de seguros, mas que não deixa de ser muito interessante.

Interessante porque demonstra de forma didática como a concorrência e o livre mercado são capazes de mudar paradigmas e inverter completamente a posição de uma marca dentro de um cenário, tudo isso pautado pela simples preferência dos consumidores.

Vamos falar do mercado de celulares, mais especificamente sobre a trajetória da Nokia.

Prestígio e domínio

A história da Nokia, empresa multinacional com sede na cidade de Espoo, na Finlândia, se confunde com a própria história dos celulares em certo sentido.

Em 1963, a companhia que fora fundada em 1865, entrou no mercado de telecomunicações, que passaria a ser seu carro chefe com o advento da popularização da telefonia móvel.

Em 1998, a Nokia se tornaria a marca de celulares mais vendida do mundo, com uma diferença astronômica em relação à Motorola, que ocupava a segunda colocação.

Em 1999, o lucro operacional da marca chegou a 4 bilhões de dólares, uma evolução surpreendente em relação à cifra de 1 bilhão registrada em 1995.

Até a metade dos anos 2000, ninguém parecia ser páreo para derrubar ou ao menos desafiar a gigante finlandesa. Seus aparelhos sempre figuravam entre os mais vendidos do mundo e eram elogiados pela crítica especializada.

Em 2007, a Nokia era líder mundial no mercado de telefonia móvel, com uma participação global de cerca 40%.

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Capa da Revista Forbes de Novembro de 2007. A chamada principal questiona: um bilhão de clientes – alguém pode pegar o rei dos celulares?

O início do declínio

A vida da marca começa a mudar quando a concorrente Apple, no mesmo ano de 2007, lança a primeira geração do iPhone.

Um produto recepcionado pelo mercado como o marco inicial de uma nova era dos celulares e aclamado pela crítica, somado a uma agressiva campanha voltada à valorização da marca, promovida através de Steve Jobs, então CEO da companhia.

O novo lançamento de início não parecia uma ameaça a se considerar: quase metade de todos os aparelhos vendidos no mundo ainda eram Nokia, enquanto o iPhone da Apple tinha uma participação de mercado de meros 5%.

No entanto, num dado momento, os ventos começaram a mudar.

O consumidor passou a enxergar valor nos novos lançamentos e foi repensando suas preferências de compra, ao passo em que se tornava mais exigente no tocante à tecnologia presente em aparelhos móveis.

Enquanto a Apple, a Samsung e outras marcas passaram a triunfar na nova era dos celulares, a Nokia sistematicamente perdia o apoio do consumidor por inúmeras razões.

Uma delas foi o Symbian, sistema operacional que equipava os aparelhos da marca, que apresentava problemas de desempenho e possuía limitações técnicas.

Isso acabou frustrando a comunidade de desenvolvedores de aplicativos, que optou por realizar trabalhos em outros sistemas, como o iOS e o Android presente nas concorrentes.

O insucesso de seus lançamentos, além da falta de respostas convincentes e capazes de acompanhar a nova onda e recolocar a marca no seu posto inicial, penalizaram a empresa de forma irreversível.

Com a perda de mercado, a divisão de telefonia móvel passou a amargar perdas consideráveis, que influenciaram nas finanças de toda a corporação.

Em pouco mais de seis anos, o valor de mercado da Nokia caiu cerca de impressionantes 90%.

O declínio da marca acelerou com o início da década de 2010. Em 2013, em meio à severa crise institucional, a Microsoft adquiriu a divisão de telefonia móvel da Nokia por 7,1 bilhões de dólares.

Após a venda, a finlandesa passou a direcionar seu foco para a área de infraestrutura de telecomunicações, onde ela ainda detinha grande expertise.

O vídeo abaixo demonstra, através de uma representação gráfica, o movimento das marcas no mercado de celulares de 1993 até 2019. Os números exibidos são as vendas anuais de cada marca em todo o mundo, de acordo com dados oficiais reportados em releases direcionados aos acionistas.

A valiosa lição

Por maior, tradicional e sólido que seja um negócio num dado momento, ele nunca pode ser considerado como imbatível e imune a ameaças mercadológicas.

A concorrência, vital dentro de uma economia de mercado, jamais pode ser negligenciada.

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