A concentração bancária no Brasil tem uma parcela de culpa do consumidor?

Esses dias estava debatendo com um colega sobre a concentração bancária que existe há anos no Brasil.

Não é segredo pra ninguém que durante muito tempo, especialmente nos últimos dez ou quinze anos, cerca de cinco ou seis grandes bancos dominaram o setor bancário brasileiro, sem grandes concorrentes que representassem uma ameaça.

E não era assim. Houve uma época em que havia uma oferta razoável de serviços bancários de instituições distintas.

Ao longo desse anos, assistimos uma série de fusões, aquisições e liquidações, cujas motivações foram as mais diversas: bancos menores com problemas de liquidez, crises financeiras, mudanças de cenário macroeconômico e questões de interesse comercial.

Os bancos estatais, por sua vez, se sobressaíram em certos segmentos, em especial no crédito voltado para o mercado imobiliário, justamente pelo acesso aos recursos governamentais que fazem com que eles ofertem condições insuperáveis pelos bancos privados.

E em um dado momento da nossa conversa, nós dois acabamos concordando que o consumidor tem uma parcela de culpa por isso.

Essa afirmação pode soar meio estranha e até controversa, mas explico.

Num comportamento inconsciente e quase que automático, o consumidor médio sempre delegou suas finanças para os “bancões”, sem ao menos se dar ao trabalho de pesquisar outras opções alternativas que pudessem ser mais atrativas.

Ressalvadas as exceções, sempre foi muito raro alguém concentrar sua vida financeira em banco de pequeno ou médio porte. Poucas eram as pessoas que davam o benefício da dúvida.

É verdade que existem explicações plausíveis para isso: receio sobre a estabilidade da instituição, suporte com certas limitações, pouca presença em determinadas regiões do país, entre outras razões.

Felizmente, esse cenário parece estar caminhando para uma melhora considerável.

Os bancos digitais, cujas despesas administrativas são menores e acabam por permitir a oferta de condições mais atrativas aos clientes, estão promovendo o renascimento da saudável concorrência que é crucial dentro de uma economia de mercado.

Esses bancos estão recebendo injeção de capital de grandes investidores internacionais, por estes últimos entenderem que são negócios promissores, o que garante lastro financeiro.

A geração recente costuma ser mais receptiva aos bancos alternativos, forçando os bancos tradicionais a se reinventarem e repensarem suas operações.

Além disso, houve o lançamento de campanhas inteligentes e sagazes que focaram nas práticas comerciais abusivas desse oligopólio bancário, que até então parecia indestrutível.

Vale mencionar também as cooperativas, tanto a nível nacional como regional, que estão ganhando mercado com linhas de crédito competitivas e com atendimento mais individualizado.

Mas uma coisa não mudou: cabe ao consumidor saber usar seu poder de escolha para benefício próprio e também para ajudar a promover o equilíbrio de mercado e a concorrência.

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