Por que a educação à distância ainda é estigmatizada pelo mercado de trabalho?

Há não muito tempo atrás, para assistir a uma aula de um curso, era indiscutivelmente necessária a presença física de alunos e professores em uma sala de aula.

Com a ascensão e popularização da Internet, cujo nascimento se deu em parte pela necessidade que pólos acadêmicos tinham de compartilhar conteúdos, esse cenário tradicional mudou.

Em frente a um dispositivo conectado à rede, no conforto da nossa residência ou no caminho para algum lugar, podemos ter acesso à cursos de centros acadêmicos de várias partes do mundo, com professores de sólida formação e experiência, além de tradução com legendas, espaço para dúvidas e emissão de certificados.

Ela também contribuiu de forma significativa para a melhoria da acessibilidade à educação, com custos acessíveis e plataformas de fácil manipulação.

A educação à distância ganha ainda mais importância quando também levamos em consideração o contexto da dificuldade e custos de locomoção em grandes centros urbanos, numa realidade cotidiana atarefada e que considera o tempo um recurso extremamente escasso e precioso.

No entanto, por mais que a educação à distância tenha evoluído e haja o constante crescimento do discurso de que é necessária a modernização do modo de transmitir conhecimento, a sensação é a de que ainda impera um certo desdém por parte do mercado de trabalho em relação a profissionais que possuem em seus currículos cursos à distância.

Quase que de forma inconsciente, eles são vistos como se, via de regra, fossem menos competitivos e preparados do que aqueles que optaram pela exata mesma formação via cursos presenciais.

Pode-se especular várias motivações para esse rótulo inapropriado, mas talvez esse estigma tenha como principal fundamento a questão da disciplina.

Acredito que a maioria dos cursos à distância exigem um elevado grau de dedicação individual, aliado a uma certa facilidade de aprendizado, para que o conteúdo apresentado tenha uma efetiva contribuição no tocante ao engrandecimento intelectual do aluno.

Como não há a supervisão ativa e ostensiva da parte que leciona, o aprendizado fica sob total responsabilidade do aluno, que pode absorver o conteúdo transmitido pelo curso ou simplesmente passar por ele.

Muitas plataformas também utilizam como apelo para atrair estudantes a possibilidade de estudar quando o tempo do mesmo permitir, reforçando sempre a ideia da liberdade plena para acessar os conteúdos.

Isso é positivo por um lado, mas também abre-se um precedente para o estudante procrastinar a continuidade do curso, criando um intervalo demasiadamente grande entre módulos/aulas, podendo prejudicar a absorção de um conteúdo já passado e que será essencial para o restante do curso.

No fim das contas, o mercado acredita ser difícil mensurar o quanto o curso à distância agregou de valor a um profissional, por mais que esse esteja em posse do seu certificado.

Considera trabalhoso diferenciar o profissional que se dedicou com afinco em um curso à distância e outro que simplesmente passou pelas etapas da trilha de aprendizagem e finalizou algo que ele não aproveitou ou, ainda, para apenas pegar um certificado com o objetivo de artificialmente inflar seu currículo. E também não quer admitir o benefício da dúvida.

É preciso criar mecanismos de forma a garantir que a experiência de educação à distância seja a mais próxima da tradicional sala de aula, evitando a existência de deficiências pedagógicas.

No entanto, também deve haver uma mudança na mentalidade dos profissionais de seleção e recrutamento, despindo-se de rótulos e achismos que muitas vezes viciam e prejudicam o próprio processo de escolha do profissional que ocupará uma posição dentro de um negócio.

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