Os possíveis efeitos da guerra comercial entre Estados Unidos e China no Brasil

A guerra comercial entre EUA e China, iniciada pelo governo americano e provocadora de retaliações dos chineses, está sendo noticiada em periódicos mundo afora com ares de preocupação e incerteza.

Entre as várias questões levantadas, há a evidente e correta necessidade de analisar o impacto desse evento no Brasil.

No curto prazo, vejo a ascensão de um cenário positivo para o Brasil como uma possibilidade. Com a concretização de um estremecimento das relações comerciais entre EUA e China, poderá haver, mesmo que brevemente, um aumento da proximidade do Brasil com o país asiático.

Tal proximidade pode acabar culminando em um aumento das exportações de produtos nossos que já são fartamente comprados pelo mercado chinês, bem como em uma elevação generalizada nos preços médios das commodities.

Como exemplo, podemos mencionar a qualificada soja brasileira, que já apresenta sinal de valorização, chegando a R$ 80 por saca em alguns portos.

Os chineses, tomados pelo receio dos efeitos imediatos do conflito comercial e dotados de um absurdo poder econômico, poderão se sujeitar a pagar preços mais altos para já garantir estoques suficientes para sua demanda interna.

No entanto, creio que uma longevidade da guerra comercial causará impactos recessivos nas respectivas economias em um longo prazo, já que a participação nacional de ambos na balança comercial alheia é elevada.

Isso afetaria os países que dependem fortemente do bom andar econômico da dupla dominante a nível mundial para terem bons resultados, como o Brasil.

A OMC e o mercado de capitais norte-americano

Há ainda uma hipótese da Organização Mundial do Comércio intervir na controvérsia, já que o governo chinês alega que está avaliando a possibilidade de formalizar, através de seus representantes, uma reclamação ao organismo internacional.

Se esse rumo for tomado e culminar em algo mais grave (julgamento no tribunal da OMC, por exemplo), há grandes chances de uma decisão favorável à China, já que iniciativas de protecionismo unilateral são extremamente mal vistas na realidade econômica contemporânea.

Nesse cenário hipotético, a reação de Trump seria algo merecedor de extrema atenção, já que a permanência de uma postura intransigente e conflitiva agravaria o quadro e poderia provocar reações mais duras por parte dos chineses.

O mercado de capitais norte-americano ainda pode, através de sua forte influência, exercer pressão no governo, já que as medidas anunciadas provocaram quedas relevantes no mercado futuro local, notório recebedor de doses volumosas de investimento.


Nota de isenção de responsabilidade: o conteúdo aqui apresentado tem caráter meramente informativo, não servindo para fins de consultoria, recomendação de investimentos ou qualquer outro objetivo semelhante. O autor não se responsabiliza, sob nenhuma hipótese, pelos resultados de eventuais decisões tomadas com base no mesmo.

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